domingo, 31 de maio de 2009

Como as nossas mães




Contrariando as estatísticas, algumas mulheres têm um filho atrás do outro e se realizam com a casa cheia

A vida na casa de Claudia Junqueira é animada e barulhenta. Na hora de comer, dormir, fazer dever de casa ou brincar, a agitação está garantida com os quatro filhos. A "escadinha" formada por Arthur, 3 anos, Clara, 7, Chloé, 10, e Max , 12, às vezes é engrossada por colegas de escola, que se juntam à bagunça. "Meus quatro filhos foram desejados e queridos", garante a empresária, de 37 anos. A família de Claudia está na contramão das estatísticas. Enquanto a brasileira tem cada vez menos filhos, ela faz parte de uma minoria que escolheu ter a casa cheia.
Famílias grandes foram regra num passado relativamente próximo. Na década de 70, a taxa de fecundidade era de 5,7 filhos por mulher. Em 2000, caiu para 2,3 filhos, e entre as que têm oito anos ou mais de estudo, 1,6 filho. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esses números encolheram ainda mais: 1,9 filho por mãe.
O que motiva, então, algumas famílias a irem contra essa tendência? Para Claudia e seu marido, que vêm de lares cheios de irmãos, é uma opção natural. "Desde menina eu desejava uma família enorme", explica Claudia. "Os amigos dos meus filhos amam vir aqui porque é uma casa pensada para as crianças." Empresária, ela mo n t o u uma agenda flexível para acompanhar os pequenos de perto e dispensou babá e creche.
Para Marina Vasconcellos, terapeuta de casais e família da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é essencial ter planejamento financeiro e tempo quando se decide ter uma prole extensa. "Ter muitas crianças é uma festa, mas elas demandam atenção", afirma. A terapeuta diz que, apesar de exigir dedicação, crianças criadas com vários irmãos tendem a se desenvolver com maior autonomia. Do ponto de vista biológico, o corpo da mulher sai ganhando com a maternidade.
A gravidez reduz o risco de problemas como endometriose, câncer de mama e de útero. "Nesse sentido, quanto mais a mulher engravidar, melhor", diz a ginecologista Nilca Donadio.
É essencial ter planejamento financeiro e tempo para se dedicar quando se decide ter uma prole extensa
A roteirista e escritora Maria Mariana, 36 anos, passou os últimos dez anos alternando amamentação com gravidez. Conhecida pelo livro Confissões de adolescente, que virou peça e série de tevê, ela está lançando o livro Confissões de mãe, com as reflexões alinhavadas durante as gestações de Clara, 9 anos, Laura, 7, Gabriel, 5, e Isabel, 2. "Eu sempre quis muitos, mas fui querendo um depois do outro", conta Mariana, que acha mais fácil criar vários filhos do que um só. "Eles aprendem juntos." Depois de praticamente dez anos vivendo em função dos filhos, ela volta ao trabalho como roteirista da Rede Record e diz que saiu ganhando, apesar das críticas. "Achavam que eu estava deprimida, que tinha desistido", diz Mariana.
Em países com taxas de natalidade mais baixas, proles numerosas ganham, no mínimo, olhares desconfiados. Michelle Lehmann, 38 anos, secretária de uma firma de advocacia em Chicago, é mãe de oito, com idades entre 13 e 2 anos, e criou a comunidade online http://www.lotsofkids.com/, para ajudar pais com muitos filhos a trocar experiências. "As pessoas acham que você é irresponsável, ignorante ou fanático religioso por ter uma família maior", conta Michelle. Olhares enviesados são comuns quando os Lehmann saem de casa.
A partir da quarta gravidez, a secretária passou a ser tratada de modo diferente. "Eu apoio o direito de não ter filhos ou de ter família pequena", diz a secretária. "Só gostaria que eu e meu marido fôssemos mais respeitados por acreditarmos ser maravilhoso ter vários filhos."
Além do preconceito, esses pais enfrentam o fantasma de não darem atenção suficiente para todos. "Meus filhos são muito diferentes entre si, mas faço um esforço considerável para dedicar tempo a cada um deles", diz Michelle. A professora do Departamento de Psicologia e Filosofia da Educação da Universidade de São Paulo (USP) Silvia Colello afirma que a questão da atenção nunca se resolve de forma coletiva. "Os pais têm que ser críticos", ensina. "Aquilo que você aprendeu com um filho não serve para aplicar ao outro." É essa dedicação incansável que torna verdade o ditado: "Em coração de mãe, sempre cabe mais um."
Verônica Mambrini e Suzane G. Frutuoso - Revista Istoé - Edição 2060

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Importância da família no processo de educar




A mim me dá pena e preocupação quando convivo com famílias que experimentam a “tirania da liberdade” em que as crianças podem tudo: gritam, riscam as paredes, ameaçam as visitas em face da autoridade complacente dos pais que se pensam ainda campeões da liberdade. (PAULO FREIRE, 2000: 29)

A sociedade moderna vive uma crise de valores éticos e morais sem precedentes. Essa é uma constatação que nada tem de original, pois todos a estão percebendo e vivenciando de alguma maneira. O fato de ser uma professora a fazer essa constatação também não é nenhuma surpresa, pois é na escola que essa crise acaba, muitas vezes, ficando em maior evidência.


Nunca na escola se discutiu tanto quanto hoje assuntos como falta de limites, desrespeito na sala de aula e desmotivação dos alunos. Nunca se observou tantos professores cansados, estressados e, muitas vezes, doentes física e mentalmente. Nunca os sentimentos de impotência e frustração estiveram tão marcantemente presentes na vida escolar.


Para Esteve (1999), toda essa situação tem relação com uma acelerada mudança no contexto social. Segundo ele,
Nosso sistema educacional, rapidamente massificado nas últimas décadas, ainda não dispõe de uma capacidade de reação para atender às novas demandas sociais. Quando consegue atender a uma exigência reivindicada imperativamente pela sociedade, o faz com tanta lentidão que, então, as demandas sociais já são outras (1999: 13).


Por essa razão, dentro das escolas as discussões que procuram compreender esse quadro tão complexo e, muitas vezes, caótico, no qual a educação se encontra mergulhada, são cada vez mais freqüentes. Professores debatem formas de tentar superar todas essas dificuldades e conflitos, pois percebem que se nada for feito em breve não se conseguirá mais ensinar e educar. Entretanto, observa-se que, até o momento, essas discussões vêm sendo realizadas apenas dentro do âmbito da escola, basicamente envolvendo direções, coordenações e grupos de professores. Em outras palavras, a escola vem, gradativamente, assumindo a maior parte da responsabilidade pelas situações de conflito que nela são observadas.


Assim, procura-se em novas metodologias de trabalho, por exemplo, as soluções para esses problemas. Computadores e programas de última geração, projetos multi e interdisciplinares de todos os tipos e para todos os gostos, avaliações participativas, enfim uma infinidade de propostas e atividades visando a, principalmente, atrair os alunos para os bancos escolares. Não é mais suficiente a idéia de uma escola na qual o individuo ingressa para aprender e conhecer. Agora a escola deve também entreter.


No entanto, apesar das diferentes metodologias hoje utilizadas, os problemas continuam, ou melhor, se agravam cada vez mais, pois além do conhecimento em si estar sendo comprometido irremediavelmente, os aspectos comportamentais não têm melhorado. Ao contrário. Em sala de aula, a indisciplina e a falta de respeito só têm aumentado, obrigando os professores a, muitas vezes, assumir atitudes autoritárias e disciplinadoras. Para ensinar o mínimo, está sendo necessário, antes de tudo, disciplinar, impor limites e, principalmente, dizer não.


A questão que se impõem é: até quando a escola sozinha conseguirá levar adiante essa tarefa? Ou melhor, até quando a escola vai continuar assumindo isoladamente a responsabilidade de educar?
São questões que merecem, por parte de todos os envolvidos, uma reflexão, não só mais profunda, mas também mais crítica. É, portanto, necessário refletir sobre os papéis que devem desempenhar nesse processo a escola e, conseqüentemente, os professores, mas também não se pode continuar ignorando a importância fundamental da família na formação e educação de crianças e adolescentes.


Voltando a analisar a sociedade moderna, observa-se que uma das mudanças mais significativas é a forma como a família atualmente se encontra estruturada. Aquela família tradicional, constituída de pai, mãe e filhos tornou-se uma raridade. Atualmente, existem famílias dentro de famílias. Com as separações e os novos casamentos, aquele núcleo familiar mais tradicional tem dado lugar a diferentes famílias vivendo sob o mesmo teto. Esses novos contextos familiares geram, muitas vezes, uma sensação de insegurança e até mesmo de abandono, pois a idéia de um pai e de uma mãe cuidadores dá lugar a diferentes pais e mães “gerenciadores” de filhos que nem sempre são seus.
Além disso, essa mesma sociedade tem exigido, por diferentes motivos, que pais e mães assumam posições cada vez mais competitivas no mercado de trabalho. Então, enquanto que, antigamente, as funções exercidas dentro da família eram bem definidas, hoje pai e mãe, além de assumirem diferentes papéis, conforme as circunstâncias saem todos os dias para suas atividades profissionais. Assim, observa-se que, em muitos casos, crianças e adolescentes acabam ficando aos cuidados de parentes (avós, tios), estranhos (empregados) ou das chamadas babás eletrônicas, como a TV e a Internet, vendo seus pais somente à noite.


Toda essa situação acaba gerando uma série de sentimentos conflitantes, não só entre pais e filhos, mas também entre os próprios pais. E um dos sentimentos mais comuns entre estes é o de culpa. É ela que, na maioria das vezes, impede um pai ou uma mãe de dizer não às exigências de seus filhos. É ela que faz um pai dar a seu filho tudo o que ele deseja, pensando que assim poderá compensar a sua ausência. É a culpa que faz uma mãe não avaliar corretamente as atitudes de seu filho, pois isso poderá significar que ela não esteve suficientemente presente para corrigi-las.


Enfim, é a culpa de não estar presente de forma efetiva e construtiva na vida de seus filhos que faz, muitas vezes, um pai ou uma mãe ignorarem o que se passa com eles. Assim, muitos pais e mães acabam tornando-se reféns de seus próprios filhos. Com receio de contrariá-los, reforçam atitudes inadequadas e, com isso, prejudicam o seu desenvolvimento, não só intelectual, mas também, mental e emocional.


Esses conflitos acabam agravando-se quando a escola tenta intervir. Ocorre que muitos pais, por todos os problemas já citados, delegam responsabilidades à escola, mas não aceitam com tranqüilidade quando essa mesma escola exerce o papel que deveria ser deles. Em outras palavras,
[...] os pais que não têm condições emocionais de suportar a sua parcela de responsabilidade, ou culpa, pelo mau rendimento escolar, ou algum transtorno de conduta do filho, farão de tudo, para encontrar argumentos e pinçar fatos, a fim de imputar aos professores que reprovaram o aluno, ou à escola como um todo, a total responsabilidade pelo fracasso do filho (ZIMERMAN apud BOSSOLS, 2003: 14).


Assim, observa-se que, em muitos casos a escola (e seus professores) acaba sendo sistematicamente desautorizada quando, na tentativa de educar, procura estabelecer limites e responsabilidades. O resultado desses sucessivos embates é que essas crianças e adolescentes acabam tornando-se testemunhas de um absurdo e infrutífero cabo-de-guerra, entre a sua escola e a sua família. E a situação pode assumir uma maior complexidade porque, conforme também explica Zimerman, “o próprio aluno, que não suporte reconhecer a responsabilidade por suas falhas, fará um sutil jogo de intrigas que predisponha os pais contra os professores e a escola” (apud BOSSOLS, 2003: 14).


Entretanto, é importante compreender que, apesar de todas as situações aqui expostas, o objetivo não é o de condenar ou julgar. Está-se apenas demonstrando que, ao longo dos anos, gradativamente a família, por força das circunstâncias já descritas, tem transferido para a escola a tarefa de formar e educar. Entretanto, essa situação não mais se sustenta. É preciso trazer, o mais rápido possível, a família para dentro da escola. É preciso que ela passe a colaborar de forma mais efetiva com o processo de educar. É preciso, portanto, compartilhar responsabilidades e não transferi-las.


É dentro desse espírito de compartilhar que não se pode deixar de citar a iniciativa do MEC, que instituiu a data de 24 de abril como o Dia Nacional da Família na Escola. Nesse dia, todas as escolas são estimuladas a convidar os familiares dos alunos para participar de suas atividades educativas, pois segundo declaração do ex-Ministro da Educação Paulo Renato Souza "quando os pais se envolvem na educação dos filhos, eles aprendem mais".


A família deve, portanto, se esforçar em estar presente em todos os momentos da vida de seus filhos. Presença que implica envolvimento, comprometimento e colaboração. Deve estar atenta a dificuldades não só cognitivas, mas também comportamentais. Deve estar pronta para intervir da melhor maneira possível, visando sempre o bem de seus filhos, mesmo que isso signifique dizer sucessivos “nãos” às suas exigências. Em outros termos, a família deve ser o espaço indispensável para garantir a sobrevivência e a proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como se vêm estruturando (KALOUSTIAN, 1988).


Educar, portanto, não é uma tarefa fácil, exige muito esforço, paciência e tranqüilidade. Exige saber ouvir, mas também fazer calar quando é preciso educar. O medo de magoar ou decepcionar deve ser substituído pela certeza de que o amor também se demonstra sendo firme no estabelecimento de limites e responsabilidades. Deve-se fazer ver às crianças e jovens que direitos vêm acompanhados de deveres e para ser respeitado, deve-se também respeitar.
No entanto, para não tornar essa discussão por demais simplista, é importante, entender, que quando se trata de educar não existem fórmulas ou receitas prontas, assim como não se encontra, em lugar algum, soluções milagrosas para toda essa problemática. Como já foi dito, educar não é uma tarefa fácil; ao contrário, é uma tarefa extremamente complexa. E talvez o que esteja tornando toda essa situação ainda mais difícil seja o fato de a sociedade moderna estar vivendo um momento de mudanças extremamente significativas.


Segundo Paulo Freire: “A mudança é uma constatação natural da cultura e da história. O que ocorre é que há etapas, nas culturas, em que as mudanças se dão de maneira acelerada. É o que se verifica hoje. As revoluções tecnológicas encurtam o tempo entre uma e outra mudança” (2000: 30). Em outras palavras, está-se vivendo, em um pequeno intervalo de tempo, um período de grandes transformações, muitas delas difíceis de serem aceitas ou compreendidas. E dentro dessa conjuntura está a família e a escola. Ambas tentando encontrar caminhos em meio a esse emaranhado de escolhas, que esses novos contextos, sociais, econômicos e culturais, nos impõem.
Para finalizar esse texto é importante fazer algumas considerações que, se não trazem soluções definitivas, podem apontar caminhos para futuras reflexões. Assim, é preciso compreender, por exemplo, que no momento em que escola e família conseguirem estabelecer um acordo na forma como irão educar suas crianças e adolescentes, muitos dos conflitos hoje observados em sala de aula serão paulatinamente superados. No entanto, para que isso possa ocorrer é necessário que a família realmente participe da vida escolar de seus filhos. Pais e mães devem comparecer à escola não apenas para entrega de avaliações ou quando a situação já estiver fora de controle. O comparecimento e o envolvimento devem ser permanentes e, acima de tudo, construtivos, para que a criança e o jovem possam se sentir amparados, acolhidos e amados. E, do mesmo modo, deve-se lutar para que pais e escola estejam em completa sintonia em suas atitudes, já que seus objetivos são os mesmos. Devem, portanto, compartilhar de um mesmo ideal, pois só assim realmente estarão formando e educando, superando conflitos e dificuldades que tanto vêm angustiando os professores, como também pais e os próprios alunos.

por MARGARETE J. V. C. HÜLSENDEGER

sábado, 23 de maio de 2009

Educação se faz em conjunto



Adotar mecanismos que oportunizem a participação efetiva da família no desenvolvimento global do aluno é o que rege a política nacional de educação. Ter a família como parceira é fundamental para o desenvolvimento do processo de ensino. Com base nisso, a Secretaria de Educação de Joinville abre, neste sábado, as 85 escolas da rede municipal para receber as famílias de aproximadamente 47 mil alunos.
O fim de semana dá oportunidade da participação dos pais, porque durante a semana têm suas atribuições de trabalho. Aos profissionais da educação que irão trabalhar nesta data, a compensação dada no ponto facultativo concedido em abril e no recesso escolar do mês de junho. Além disso, é necessário salientar que este é um dia letivo que precisa ser cumprido e foi discutido com o sindicato que representa a classe dos profissionais da educação na cidade.
Esse dia favorece que os pais, junto aos seus filhos e aos corpos técnico e docente da escola, conheçam o ambiente onde a criança fica boa parte do seu dia e, com eles, vivenciem atividades recreativas, que ficaram a critério de cada unidade escolar. Normalmente, os pais são chamados à escola para receber o boletim de seus filhos, por questões disciplinares, ou assuntos administrativos. Esse dia é diferente.
Algumas unidades abrem o dia com apresentações culturais, teatro, contação de histórias, música ou café para a comunidade escolar. Outras dedicarão parte do tempo para apresentar o ambiente à família e conhecer os profissionais da rede de ensino. Competições esportivas entre pais e alunos também irão ocorrer. Escolas rurais farão um resgate das brincadeiras mais antigas. Os pais poderão assistir a palestras e participar de oficinas.
A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação fala da importância da família nesse processo de ensino-aprendizagem. E cabe aos representantes públicos oportunizar essa relação entre escola, aluno, família e comunidade. Recentemente, o Ministério da Educação (MEC) instituiu o Dia da Família na Escola e cabe-nos, outra vez, a responsabilidade de fazer acontecer.
Tradicionalmente, a escola e família se olhavam com desconfiança por não compreenderem todo o processo educacional, suas limitações e abrangências. A compreensão de que família e escola devem se manifestar de forma conjunta na responsabilidade de educação é o que nos faz pensar de forma democrática e na necessidade de trazer a família para dentro do ambiente de ensino de seus filhos.
É comprovado que uma escola em que os pais participam tem melhores índices de ensino e é mais bem cuidada e desenvolvida. A comprovação disso está na responsabilidade concedida, inclusive, às associações de pais e professores (APPs), que passam a administrar e responder pelos recursos das unidades de ensino. É a gestão democrática da educação com os diversos atores que compõem o processo educacional.
É preciso que sejamos capazes de construir uma relação de diálogo para que saibamos quais são as dificuldades dos alunos, seus objetivos, seus medos. Disso depende a participação da família, da comunidade, dos professores e profissionais da educação. Essas características marcam a trajetória de cada aluno e são fundamentais para que possamos avaliar o êxito das ações. Com a participação da família na escola, vamos construir propostas educacionais compatíveis com a nossa realidade.

Marcos Aurélio Fagundes - Secretário de Educação de Joinville
Jornal de Joenville - 23/05/2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Algumas palavras do Dr. Içami


Algumas sabias palavras da Palestra do Dr. Içami, Curitiba, 23 de julho de 2008.



1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório.Filho é para sempre.


2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar alguém com internet, som,tv, etc.


3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena(condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.


4. Confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.


5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.


6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devemmandar. Não podem sucumbir aos desejos dacriança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa.A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai disse que não ganhará doce, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.


7. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.


8. Temos que produzir o máximo que podemos, pois na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio.Não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.


9. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente, pois aquela informação, de que droga faz mal, não está gerando conhecimento.


10. A gravidez é um sucesso biológico, e um fracasso sob o ponto devista sexual.


11. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são,mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para da droga fazer uso. A mãe deve, então, viraras costas e não aceitar as agressões.Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve‘abandoná-lo’.


12. A mãe é incompetente para ‘abandonar’ o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.


13. Homem não gosta quando a mulher vem perguntar: ‘E aí, como foi o seu dia?’. O dia, para o homem,já foi, e ele só falará se tiver alguma coisa relevante. Não quer relembrar todos os fatos do dia..


14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve opai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até elese acalmar e aplicar o devido castigo.


15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.


16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação.Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se desistir ou for mal na faculdade.


17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais.Não é cabível palpite. Nunca.


18. Mães, muitas são loucas. Devem ser tratadas. (palavras dele)


19. Se a mãe engolir sapos do filho, a sociedade terá que engolir os dele.


20. Videogames são um perigo. Os pais têm que explicar como é a realidade. Na vida real, não existem‘vidas’, e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.


21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.


22. Pai não pode explorar o filho por uma inabilidade que o próprio pai tenha. ‘Filho, digite tudo isso aqui pra mim porque não sei ligar o computador’. O filho tem que ensiná-lo para aprender a ser líder. Se o filho ensina o líder (pai), então ele também será um líder.Pai tem que saber usar o Skype,pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível o paipagar para falar com o filho que mora longe.


23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. Não há hierarquia. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educadoachando-se o centro do universo.


24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.


25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que saber qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto que isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.


26. Dinheiro ‘a rodo’ para o filho é prejudicial. Tem que controlar e ensinar a gastar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Educação na Família



Importantes estudos sobre sintomas emocionais em crianças conflitadas são desenvolvidos pela psiquiatria infantil. Observações médicas revelam que jovens envolvidos em graves distorções do comportamento, desvios sexuais, alcoolismo, toxicofilias e transgressões legais são portadores de conflitos que têm relação com os pais.
Segundo o psiquiatra Bowlby, a criança separada da mãe apresenta três períodos distintos de comportamento: protesto, desespero e indiferença. Torna-se decepcionada, frustrada, podendo se tornar nocivo à família e à sociedade.
Mães frias ou rejeitadoras apresentam filhos tensos e negativistas, com dificuldade de adaptação. Já a excessiva proteção materna proporciona marcantes transtornos na personalidade. Filhos de mães dominadoras tornam-se excessivamente submissos e apresentam sintomas de timidez, medo, ansiedade e insuficiência sexual. Mães indulgentes não despertam confiança nos filhos, dificultando a estruturação da personalidade e ocasionando a estratificação de comportamento imaturo. Pais agressivos interferem no bem-estar psíquico da família e traumatizam filhos.
O desenvolvimento da criança depende dos pais, através de sistema educacional harmônico, com limites definidos, recreação orientada e instrução correta dos fatores éticos e morais. Educando a criança evitamos punir o adulto.
É fundamental que pais deem atenção aos filhos, permitindo que se expressem para discutir sentimentos íntimos. A educação que permite a expressão de sentimentos, tendências, ideias e opiniões aproxima e acolhe pais e filhos, edificando-se uma sociedade sadia e mais feliz.

Carlos Alberto Rabaça - Sociólogo e Professor

terça-feira, 28 de abril de 2009


Educação e valores, por Luciana M. Crestani*

Meus pais, família humilde, não me legaram grandes posses materiais. Mas, dentro das limitações financeiras que sempre tivemos, conseguiram me proporcionar os bens mais preciosos: educação e valores morais. O que veio depois disso o ensino sistematizado, a formação e os frutos das escolhas feitas apenas somou aos sólidos pilares anteriormente construídos por meio do exemplo e do diálogo.É sobre isso que me proponho a refletir no Dia da Educação. Sobre o verdadeiro sentido da palavra educação. Falo de educação para a vida, para a cidadania, para o convívio social. Aquela que aprendemos também na escola, mas primeira e principalmente na família. É na família que aprendemos a cultivar os valores básicos – respeito, honestidade, humildade, cordialidade, compaixão – que externamos ao longo do nosso convívio em sociedade. E, nesse sentido, o respeito – por si mesmo e pelos outros – encabeça a lista das virtudes. Quando na família não se ensina o respeito mútuo, pouco sobra para ensinar. Talvez por falta dele, do respeito, a sociedade esteja cada vez mais doente. Certamente por falta dele escolas enfrentam tantos problemas de violência, de depredação, de confronto, situações inconcebíveis e desanimadoras para professores e estudantes.Como se espera que uma criança ou adolescente que agride os pais, verbal ou fisicamente, debocha dos avós, trapaceia o irmão, tenha algum respeito por colegas, professores, ou qualquer pessoa que lhe cruze o caminho? Como espero que um filho meu cultive valores, seja uma pessoa de caráter e índole exemplares se a “educação” que recebe em casa vai na direção contrária? Como espero que respeite os mais velhos, ceda sua poltrona a um doente, um idoso, ou simplesmente saiba conviver com as diferenças se não o educo para isso? Se não há exemplo e nem diálogo sobre essas questões em casa, como esperar que meu filho as aprenda?Já é consagrada a máxima de que o exemplo não é a melhor maneira de educar, é a única. Se a parcela da educação que cabe aos pais é relegada ou renegada, fica difícil a escola sozinha reverter o quadro. É preciso lembrar que a escola é também responsável pelo ensino dos conteúdos curriculares, que são muitos e complexos. Dado o número de períodos que cada professor passa semanalmente em cada turma – uma média de dois períodos –, é escasso o tempo para conciliar discussão de valores morais com conteúdos programáticos. Por outro lado, é urgente que nas salas de aula se priorizem e discutam questões latentes envolvendo valores morais e éticos em detrimento de gramatiquices e fórmulas mirabolantes. Aliás, como professores, somos também exemplos. Mas que pais e mães não se eximam dessa função.Veja-se o caso do personagem Zeca, o badboy da novela Caminho das Índias. O rapaz tem tudo, materialmente falando. Também tem acesso a bens culturais (cinema, teatro, livros, internet etc.), domina recursos de informática, vai à escola, assiste às aulas... e adianta? O exemplo de casa é o que lhe “adianta”. E na casa de Zeca não há nenhum indício de valores morais... Enfim, que sirva a arte como exemplo para a vida. E que reverberem em nossas memórias as palavras de Theodore Roosevelt: “Educar uma pessoa apenas no intelecto, mas não na moral, é criar uma ameaça à sociedade”.

*Professora universitária, mestre em Educação
ZERO HORA 28/04/2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

HIPERPAIS


Pais que amam demais atrapalham filhos
Martha Mendonça - Revista Época - edição 569

Na ânsia de preparar os filhos para o futuro, muitos pais extrapolam no carinho e nas atividades educativas. Que tipo de filho eles criam?

CURRÍCULO INFANTIL - Aula de artes na Escola Internacional de Alphaville, em São Paulo. A diversificação de atividades atende a uma demanda dos pais.
Todos os pais querem que seus filhos sejam bem-sucedidos. E a receita é clara: como na infância nosso cérebro é mais propenso ao aprendizado, basta desenvolvê-lo ao máximo, desde o mais cedo possível. Infelizmente, ninguém consegue prever o futuro – e portanto não há como saber quais habilidades serão mais importantes quando nossos pequenos tesouros virarem adultos. O que faz um bom pai, nesse caso? Claro! Aposta no máximo de atividades. Escola bilíngue, curso de uma terceira língua, iniciação musical, aulas de etiqueta, ginástica, natação... No tempo livre, por que não aproveitar para divertir as crianças com um bom DVD educativo?
Mas esse investimento todo não vai valer nada se não soubermos proteger e amparar as crianças de todos os perigos desta vida. Então é preciso aceitar o sacrifício de levá-las e trazê-las de carro de todos os compromissos e manter a constante possibilidade de contato pelo celular – esse moderno e abençoado cordão umbilical tecnológico.
Só há um pequeno porém com essa receita. Na verdade, dois. O primeiro é que segui-la sai um pouco caro, tanto em dinheiro como em preocupações. O segundo é que... essa fórmula pode dar errado. Bem errado.
Depois de umas boas décadas em que grande parte dos psicólogos, educadores, cientistas e empresários estimulava o esforço pelo desenvolvimento planejado das crianças, estamos vendo agora um novo fenômeno: o combate ao excesso de zelo dos pais. Uma recente reportagem da revista americana New Yorker define o fenômeno como overparenting. Trata-se dos hiperpais, pais superprovedores – ou simplesmente pais demais. Eles são o avesso dos pais negligentes. Protegem demais, são indulgentes demais e sentem uma ânsia que os leva a resolver todos os problemas das crianças. Alguns desses espécimes atendem pelo apelido de pais-helicóptero, porque estão sempre, de alguma maneira, “sobrevoando” os filhos, impedindo que encontrem suas próprias saídas e tenham seus momentos de solidão e brincadeira. Esses momentos são imprescindíveis para que as crianças aprendam a pensar por si próprias – e se tornem adultos independentes e conscientes. O novo discurso é que nada substitui a brincadeira como atividade para desenvolver a inteligência e as habilidades sociais, e a melhor maneira de um adolescente aprender algo é pelo método de tentativa e erro.
Até no campo da medicina esse discurso vem ganhando força. Um dos comportamentos mais comuns dos hiperpais é o cuidado extremo com a higiene. E quem poderia condenar isso? Os médicos. Peter Liquornik, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, é um exemplo. “Muitos bebês ficam com seu amadurecimento imunológico comprometido pela mania de limpeza e esterilização dos pais. A natureza faz a criança engatinhar e colocar tudo na boca porque é assim que ela vai criar suas defesas”, diz. Segundo Liquornik, existe hoje uma superproteção das crianças, que muitas vezes ficam impedidas de brincar, de se sujar, em nome de uma higiene exacerbada. Ninguém precisa entregar bolas de sujeira para os filhos lamberem, mas, se eles não tiverem algum contato com as imperfeições do mundo, não criarão anticorpos suficientes.
Isso vale não apenas para vírus e bactérias. “Se não há dificuldades na vida das crianças, elas não vão desenvolver muitas habilidades”, diz a americana Hara Marano, editora da revista Psychology Today e autora do livro A nation of wimps: the high cost of invasive parenting (Uma nação de fracos: o alto custo da paternidade invasiva), lançado em 2008. “É como amarrar os sapatos: na primeira, na segunda ou na terceira vez eles não conseguem. Em vez de amarrar para eles, deixe que andem com os cadarços soltos de vez em quando. Vão começar a tentar sozinhos até aprender.” Marano acredita que os valores ocidentais de competitividade tenham gerado essa “hiperpaternidade” no mundo contemporâneo. “Os pais foram tomados por uma enorme ansiedade, focada na vida dos filhos. Querem resolver o futuro deles agora, querem ser eficientes. Mas eficiência é um valor da profissão, não da criação de um filho.”
O celular ajuda a reforçar essa síndrome, diz Marano. “Com ele, os hiperpais podem ligar sem necessidade real para os filhos, apenas como forma de suavizar suas próprias ansiedades.” E as crianças são levadas a criar o costume de falar com os pais por qualquer mínimo motivo. “Aos 7 anos, muitas crianças já trazem o celular para a escola”, diz Fernanda Carísio, coordenadora educacional do Colégio Cruzeiro, tradicional escola do Rio de Janeiro. “Mesmo a gente pedindo em toda reunião de pais que não deixem as crianças vir com telefone para a escola.” Segundo Carísio, os pais sentem culpa por passar muito tempo longe dos filhos e encaram o celular como um elo. “Só que as crianças não entendem e fazem o uso que acharem melhor.” Uma pesquisa da Fundação Telefônica e da Universidade de Navarra, feita no mês passado entre estudantes paulistas, concluiu que 51% das crianças entre 6 e 9 anos têm celular próprio.
O foco intenso na criança é o cume de um processo que começou por volta do século XV. Até a Idade Média, a infância não era valorizada. A partir do desmame (aos 3 ou 4 anos, naquela época), ela passava a viver no mundo adulto. Não havia escolas formais e a própria família não era nuclear. Conviviam na mesma casa pessoas de várias procedências. Com o início da Idade Moderna, a revolução liberal e, mais tarde, o Iluminismo e a formação da burguesia, o cuidado com a criança e os laços familiares se fortaleceram. Pais e filhos ficaram mais próximos, e a criança passou a ser vista como um indivíduo em formação, que precisa de atenção e tratamento especial.

EDUCAÇÃO CONTINUADA Thales e Tarsila em sua casa, em Niterói. Eles têm a agenda cheia de atividades e depois brincam com livros e vídeos educativos
Até aí, tudo bem. Mas hoje parece que não há apenas uma infância, e sim várias. O mercado de quartos infantis mostra isso. Há uma proposta de ambiente para cada idade. “O quarto cresce com a criança”, diz a arquiteta paranaense Kethlen Durski. “Há berços diferentes, camas que vão aumentando de tamanho, cores propícias para cada momento e até uma iluminação apropriada para cada fase.” Há quem coloque tapete de borracha pela casa para que a criança não se machuque ao engatinhar ou mesmo retire a maioria dos móveis da sala de estar (outra prova de excesso de zelo: a criança deve aprender a cair, diz a nova teoria).
A supervalorização do aprendizado na infância começou nos anos 80, quando pesquisas científicas comprovaram a plasticidade do cérebro do bebê e da criança pequena. “Aí surgiram as ideias de estimulação precoce que hoje levam a um exagero”, diz a psicanalista carioca Silvia Zornig, autora de A criança e o infantil em psicanálise. Junto com essa cobrança exagerada paradoxalmente vem a falta de limites. “Os hiperpais confortam demais, protegem demais, toleram demais, envolvem demais seus filhos o tempo todo”, diz a pediatra e escritora americana Marilyn Heins, dona de um site de dicas para os pais (parentkidsright.com). “As crianças não conseguem respirar diante desse contato exacerbado.” Sobre os hiperpais, Heins é peremptória: “O bom pai é aquele que tem a coragem de entregar seu filho para o mundo. Quem não faz isso está subestimando a criança e atrapalhando seu futuro e sua felicidade. A mensagem que está sendo enviada para a criança é: você não é bom nem inteligente o bastante para ser bem-sucedido, seja lá no que for”.
O bom pai tem a coragem de entregar seu filho para o mundo. Quem não faz isso subestima a criança
Os hiperpais costumam ser implacáveis na questão do desenvolvimento intelectual ou físico. Em São Paulo, proliferam os personal trainers infantis – professores de educação física especializados no atendimento individual de crianças e adolescentes. Luiz Ricardo Rhormens atende hoje dez crianças. Diz que a demanda é crescente. A maioria são crianças acima do peso ou que os pais consideram tímidas para os esportes coletivos. Fazem principalmente natação, caminhada e corrida. “Os pais cobram retorno, querem que a criança se comprometa com metas. Alguns são bastante neuróticos, e eu tento melhorar essa relação.”
Diretora da escola de dança Petit Danse, que tem três unidades em bairros de classe média no Rio de Janeiro, Nelma Darzi diz que a procura aumenta a cada início de ano letivo. “Muitas delas vêm de outras atividades ou vão para outras depois de sair daqui. Não é raro vermos alunos dando sinais de cansaço. Costumo conversar com as mães, mas muitas estão focadas na competitividade”, afirma. Às tradicionais aulas de natação, futebol, balé e inglês somam-se agora atividades mais diversificadas, como cursos de japonês e chinês, história da arte e etiqueta, sem falar no mercado de professores particulares que preparam alunos para os “vestibulinhos”, as provas de admissão nos colégios mais concorridos.
Neste mundo competitivo, as escolas se adaptam. Na Escola Internacional de Alphaville, num condomínio de classe média alta de São Paulo, crianças de 3 e 4 anos têm aulas sobre artistas como Miró, Van Gogh e Pollock. As aulas são apresentadas como uma forma de os alunos “apreciarem a obra e o fazer artístico e refletirem sobre o percurso de criação do artista”. A professora Cássia Bessa, coordenadora do projeto, diz que a diferenciação entre as crianças se dá cada vez mais cedo. “Há uma demanda social por isso, é a evolução natural.” Na Escola de Educação Infantil Ponto Omega, também em São Paulo, há um curso de etiqueta para os pequenos. São quatro módulos sobre como eles devem se comportar: “em casa”, “na escola”, “no clube” e “no restaurante”.
Com uma agenda tão cheia, quando as crianças estão em casa, o tempo é de brincadeira, certo? Mais ou menos. Muitos pais gostam que, em vez do divertimento totalmente livre, haja entretenimento dirigido e programas didáticos. Tarsila Naylor, de 4 anos, e seu irmão Thales, de 2, moradores de Niterói, no Rio de Janeiro, fazem balé, natação, capoeira, iniciação musical e vivência religiosa. Em casa, desde muito pequenos assistem aos DVDs da série Baby Einstein, que são divididos em faixa etária e falam de natureza, ciência e artes. (Há dois anos, uma pesquisa da Universidade de Washington demonstrou que bebês que assistem a esses programas aprendem menos palavras que os que não assistem, mas isso é outra história.) Os irmãos também veem vídeos de histórias infantis em seis línguas diferentes, para ir se acostumando com a sonoridade. “O que ninguém pode roubar de uma pessoa é o conhecimento”, diz o fiscal de tributos Carlos Mauro Naylor, pai das crianças. “Quando crescerem um pouco mais, vão entrar num curso de mandarim.”

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Refeição em família


Refeição em família
Rosely Sayão - Folha de S. Paulo



Os meios de comunicação, devidamente apoiados por informações científicas, dizem que alimentação é uma questão de saúde. Programas de TV ensinam a comer bem para manter o corpo magro e saudável, livros oferecem cardápios de populações com alto índice de longevidade, alimentos ganham adjetivos como "funcionais". Temos dietas para cardíacos, para hipertensos, para gestantes, para idosos.
Cada vez menos a família se reúne em torno da mesa para compartilhar a refeição e se encontrar, trocar ideias, saber uns dos outros. Será falta de tempo? Talvez as pessoas tenham escolhido outras prioridades: numa pesquisa recente sobre as refeições, 69% dos entrevistados no Brasil relataram o hábito de assistir à TV enquanto se alimentam.
Uma criança de nove anos disse uma coisa interessante: para ela, o horário do recreio deveria ser maior porque tomar o lanche demora e, com isso, há menos tempo para brincar. Aí está: lanchar com os colegas não tem, para essa e muitas outras crianças, o caráter de prazer; parece ter uma ligação mais estreita com outras obrigações escolares.
Aliás, tenho observado a dificuldade que muitas crianças têm de falar com adultos e pares olhando para seu interlocutor. Elas falam e olham para o lado, para baixo e até para além da pessoa com quem conversam, mas o olho no olho parece ser desagradável, difícil para elas. Talvez seja porque estão acostumadas a olhar para a TV ou para o jogo enquanto conversam com os pais.
O horário das refeições é o melhor pretexto para reunir a família porque ocorre com regularidade e de modo informal.
E, nessa hora, os pais podem expressar e atualizar seus afetos pelos filhos de modo mais natural, além de construir o ambiente acolhedor que permite aos mais novos perceber com clareza que aquele é seu grupo de referência e de pertencimento.
Numa época em que os rituais estão em desuso, as refeições em família são um excelente momento para transmitir tradições familiares aos filhos: quais alimentos aquela família prefere e quais são os seus modos usuais de preparação, como se comporta à mesa, quais assuntos costuma abordar durante a refeição, o tom de voz usado, como os membros se tratam. Tudo isso é apreendido pelos mais novos, que podem encontrar seu modelo de identificação familiar e ter contato com o conhecimento construído pelas gerações anteriores da família.
O horário das refeições também pode servir para que contradições, diferenças e conflitos entre pais e filhos surjam de modo polido, para que os filhos saibam mais sobre a rotina profissional dos pais e para que estes ouçam sobre a vida escolar e social dos filhos sem cobranças. Por que estamos nos tornando comedores solitários? Por que aceitamos a ideia de que o alimento é mais importante em seu aspecto nutricional do que social? Por que a TV e o computador são nossas companhias preferidas no horário das refeições? Pelo jeito, temos muito a refletir sobre esse assunto.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Bullying



Tenho vários alunos com dificuldades, algumas cognitivas, outras emocionais, outras de relacionamento e assim por diante. Irei relatar, em forma de desabafo, o caso de um dos meus alunos. Ele muitas vezes me deixa de cabelo em pé. Tenho em sala três inclusões e adivinhem? Este aluno não os aceita, coloca apelidos maldosos e mostra não possuir empatia por nenhum. Os ofende diariamente, assim como a outros colegas. Quando questionado sobre suas atitudes ele mostra despreocupação alegando:" _ Não nasci como eles e nunca serei assim". Esse comportamento hoje conhecido por Bulling atualmente afeta muitas salas de aula.

Segundo a Psicóloga Elaine Marini "Bullying são todas as formas de atitudes agressivas intencionais e repetitivas que ridicularizam o outro. Atitudes como comentários maldosos, apelidos ou gracinhas que caracterizam alguém, e outras formas que causam dor e angustia, e executados dentro de uma relação desigual de poder que são características essenciais que tornam possível a intimidação da vitima". Outro exemplo é o de uma de suas colegas, ela reclama diariamente, e muitas vezes chorando, que este aluno a ofende com apelidos maldosos, tudo isso por ter nascido o lábio leporino. Por mais que converse e o faça refletir sobre suas ações e as consequências destas, ele não consegue colocar-se no lugar do outro e não percebe o mal que está causando. "Segundo pesquisas da ABRAPIA os autores são, indivíduos que geralmente não tem empatia, frequentemente, pertencem a famílias desestruturadas, nas quais há pouco relacionamento afetivo entre seus membros. Seus pais exercem uma supervisão pobre sobre eles, toleram e oferecem como modelo para solucionar conflitos, comportamento agressivo ou explosivo. Admite-se que os que praticam o BULLYING têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos, podendo vir a adotar, inclusive, atitudes delinquentes ou criminosas" (MARINI, 2009).

Quando li o que Marini escreveu e após chamar a mãe do aluno aqui descrito para conversarmos, consegui enxergar o ponto de tudo isto. A mãe relatou os problemas familiares que vem enfrentando desde o inicio da gestação. Então fiquei convicta que a raiz de quase todas as dificuldades enfrentadas em nossas escolas está na maioria das vezes em casa.

Como professora me vejo com as mãos amarradas. Percebo que a única saída é o trabalho em conjunto com a família. Tomando parte do que realmente está acontecendo e tentando entender o motivo pelo qual nossos alunos estão agindo de uma determinada maneira, poderemos ajuda-los. Conseguiremos sim solucionar os problemas de nossas salas de aula, mas sem o auxílio dos pais isso será impossível.

domingo, 15 de março de 2009

Organização Familiar


Há mais de 15 anos trabalho como professora na rede pública e venho percebendo que os problemas na escola, principalmente os relacionados com a indisciplina, estão relacionados com a desorganização familiar.

As crianças vindas de uma família estruturada apresentam um bom desempenho e muito respeito pelo outro. Já as crianças oriundas de famílias desorganizadas apresentam muitos problemas de aprendizagem e dificuldades de relacionamento.
Ainda não realizei uma pesquisa aprofundada sobre o tema comprovando minha teoria, mas é visível o problema.

Espero que este blog seja instrumento de discussão e trocas sobre o tema.